A Queda- parte II
Presidente Prudente, 12 de agosto de 2008
Hans detestava utilizar-se de Julio César para cumprir as cláusulas do comitatus jurado séculos antes ao Dux Rex, Diego Steban De Leon. Ele esperava que os outros anciões cumprissem com suas partes no acordo, garantindo estabilidade e segurança a todo o Império, mas a ambição pesara mais que a prudência para alguns importantes barões. Será que eles não compreendiam que as disputas pelo poder nos territórios em que eram mandatários abririam as fronteiras do domínio a oportunistas e saqueadores, que poriam um fim à Pax Vicentina? Não, eles não compreendiam e era por isso que um deles sangrava pelas mãos de sua cria enquanto seus súditos e vassalos aterrorizavam-se pela eficiência quase matemática com que Julio lhe infligia dor. Era triste que um membro de seu próprio clã tivesse que servir de exemplo para os outros, mas isto garantia imparcialidade dos Brundhart no processo de manutenção da ordem. Hans obviamente lamentava a atitude extremada, pois sabia que Estado nenhum manter-se-ia por muito tempo através da violência, entretanto, por reconhcer que aqueles eram tempos extremos, seguia o adágio maquiavélico que ditava que os súditos devem antes temer um senhor do que ama-lo. Iago, o alcaide da Conceição de Monte Alegre, deixara de possuir os dois sentimentos e conspirara a insurreição de sua cidade contra a lei imperial. Agora ele compreendia o tamanho do erro que cometera ao crer que Beatrice não possuia forças suficientes para lançar mão de seus direitos.
-Por dever de meu contrato de vassalagem declaro extinta todas as proteções devidas pelo Dux Rex sobre vossa senhoria, Iago Nunes Leitão e Prado.
-Teus bens e escravos serão confiscados em nome do principe e suas crias proibidas de pronunciar vosso nome, pois vosso sangue envergonha essas terras.
- Os cronistas de sua majestade Dom Diego Steban De Leon apagarão dos livros vosso nome e vossas cinzas serão enterradas em sal, para que nada de tí alimente a terra que desonraste.
Em seu íntimo Hans lamentava o desperdício daquele sangue forte e o uivar silencioso de sua Fera contribuia com o clima de terror na câmara. O ancião sabia que este era um sinal de que em breve, talvez em menos de uma década, seu corpo não resistiria à Bruma da Eternidade e ele ficaria aos cuidades de suas preciosas crias. Ele rogou aos seus deuses negros que auxiliassem Cristabella em sua tarefa de tutorar De Leon para reassumir seu lugar de direito antes disso, pois talvez só a força e a unicidade dos mekhet não fossem capazes de manter seu legado por muito tempo.
Imagem: www.gettyimages.com

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